Brasil, 13 de Julho de 2020
15 de dezembro de 2015

Parabenos e estrogênio: qual a relação?

Parabenos e estrogênio: qual a relação?





Parabenos e estrogênio: qual a relação?

Por Isabel Luiza Piatti

Falar da presença de parabenos em cosméticos e dos efeitos do estrogênio no organismo é um assunto muito importante tanto para o profissional que trabalha na área de saúde estética quando para o consumidor que utiliza cosméticos na sua rotina de cuidados diários com a pele. E sabe por quê? Porque estudos comprovam sim a relação entre os efeitos dos parabenos serem semelhantes aos provocados pelo hormônio estrogênio no corpo humano, o que pode influenciar inclusive os resultados dos tratamentos estéticos e você já vai entender os motivos.

Algumas opiniões que lemos por aí sobre os parabenos serem nocivos ou não são um pouco controversas. Esse assunto é polêmico, nós sabemos. Mas já é possível encontrar estudos que relacionam sua ação comparada à do estrogênio no organismo. Então por que arriscar? Além disso, o próprio Ministério da Saúde tem reforçado em suas campanhas um alerta com relação à ação do estrogênio e o câncer de mama, informando que a exposição ao estrogênio por tempo prolongado aumenta o risco de desenvolver câncer de mama e que apenas de 5% a 10% dos casos desse tipo da doença estão ligados à herança genética familiar. A maioria dos casos realmente está relacionada à exposição a fatores de riscos, entre eles os hormonais, comportamentais e ambientais. E se há um embasamento científico comprovando que no organismo os parabenos se comportam como o estrogênio, provocando os mesmos efeitos nocivos, por questões de segurança e prevenção, nossa indicação é riscar do seu dia a dia qualquer produto que tenha parabenos em sua formulação.

Mas afinal, do que se tratam essas comprovações científicas? Estudos mostram que os parabenos, além de potencial alergênico e efeito estrogênico, apresentam ação uterotrófica, ou seja, podem apresentar efeitos tóxicos sobre o sistema endócrino, interferindo com a regulação hormonal e o sistema reprodutor. Estudos com biomarcadores para substâncias químicas com atividade estrogênica comprovaram o potencial estrogênico dos parabenos no organismo. Esse composto pode se ligar tanto em receptores de estrógeno quanto de progesterona, ativando esses receptores para induzir suas atividades estrogênicas, mas existem pesquisas que mostram que os parabenos também são capazes de inibir enzimas que metabolizam o estrogênio, aumentando a atividade desse hormônio no corpo.

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos avaliou 8 produtos cosméticos que continham parabenos em sua formulação, e como resultados, os autores encontraram que 6 apresentaram atividade estrogênica. Também foi mostrado que a exposição aos parabenos está associada a riscos maiores de alterações no ciclo menstrual, na fertilidade e na predisposição a cânceres de origem hormonal, sendo que o maior grupo de risco são as crianças, pois nesta fase os níveis de estrogênio ainda estão baixos, portanto, ao receberem esse estímulo precoce oriundo dos produtos contendo parabenos, aumentam-se as chances de desenvolvimento sexual feminino prematuro e ginecomastia em meninos. Ademais, os riscos não envolvem apenas alterações endócrinas, pois existem células de câncer de mama que são altamente responsivas a estrógeno, e estudos mostram que os parabenos, por se comportarem como estes hormônios, também são capazes de induzir a proliferação dessa linhagem celular cancerígena.

É por essa razão que os parabenos são totalmente contraindicados em tratamentos estéticos como de clareamento de pele (manchas), acne e celulite. Como os parabenos têm ação semelhante à do hormônio feminino estrogênio, e em alguns casos esse hormônio é responsável pelo aparecimento dessas alterações estéticas, é que não se deve usar produtos cosméticos com a presença de parabenos, pois é como se você estivesse tratando o problema com o que na verdade provoca a sua causa.

Para identificar a presença desse componente procure nas indicações de ingredientes no rótulo dos produtos por: methylparaben, propylparaben, ethylparaben, isobutylparaben, butylparaben, benzylparaben e isopropylparaben, se essas palavras estivem presentes, NÃO UTILIZE O PRODUTO. Algumas opções de conservantes já adotadas pelo mercado e que substituem os parabenos são o phenoxyethanol, methylisothiazolinone, caprylyl glycol, potassium sorbate. Fique sempre de olho na rotulagem e dê preferência a eles e aos produtos com bases biocompatíveis. (clique aqui e saiba mais sobre as bases )

Isabel Piatti
Profissioal Aisthesis. Técnica em Estética. Graduanda de Tecnologia de Estética e Imagem Pessoal. Especialista em Cosmetologia. Palestrante no VI Congresso Mundial de Medicina Estética da IAAM/ASIME, 2009, em São Paulo. Palestrante no 8º Congresso Internacional de Medicina Estética e Cirurgia Cosmética em Guaiaquil, Equador, em 2011. Palestrante em Congressos de Estética e Cosmetologia pelo Brasil. Diretora de Treinamentos da Buona Vita Cosméticos. Coordenadora do Departamento de P&D da Buona Vita Cosméticos. Colaboradora técnica de Revistas e sites da área de Beleza e Estética. Autora do Livro Biossegurança Estética & Imagem Pessoal – Formalização do Estabelecimento, Exigências da Vigilância Sanitária em Biossegurança.
E-mail: isabel@buonavita.com.br





 
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