Brasil, 16 de Dezembro de 2018
03 de dezembro de 2018

Márcio Michelasi: 'Sem profissionais, não existe mercado'



Hoje à frente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Beleza e Técnicas Afins, o Pró-Beleza, Márcio Michelasi tem uma longa e admirável trajetória dentro do setor de beleza. 

Antes de assumir a presidência da maior entidade dos trabalhadores da categoria, ele esteve à frente de grandes projetos ligados à educação e formação ao desenvolver cursos voltados à gestão e profissionalização do segmento.
 

“A Hair Brasil se estabeleceu como o maior fórum voltado ao desenvolvimento do profissional da beleza em todas as suas dimensões”
 

Além de ser um educador engajado, Michelasi se dedicou ao conhecimento da realidade legal e jurídica que envolvem os negócios do mundo da beleza no Brasil. 

Tendo acompanhado de muito perto todas as mudanças de mercado após a implantação da Lei do Salão Parceiro, ele tem uma visão global única de todas as conquistas do setor nos últimos anos.

Em um bate-papo exclusivo, o Presidente do Pró-Beleza nos falou sobre história, vitórias, projeções, novidades e a importância da parceria da entidade com a Hair Brasil. Além disso, destacou um marco histórico para o sindicato, fato ocorrido no último mês de novembro. 
 

“Agora, todos os salões e profissionais agora podem homologar seus contratos de parcerias junto ao Sindicato Pró-Beleza”
 

Acompanhe:

HB - Como presidente do maior Sindicato de Beleza do Brasil, como você vê a caminhada do mercado brasileiro?
Márcio Michelasi -
Eu sou um grande apaixonado pela evolução histórica do mercado de beleza porque o “movimento de organização” deste setor, de fato, sempre se constituiu como um fenômeno social disruptivo – tanto no cenário nacional como no internacional -, servindo como paradigma para outros setores. Eu poderia falar por horas sobre este modelo diferenciado de organização social - de capital e trabalho - de tão distinto que é.


 
HB – Pode nos dar algum exemplo?
Márcio Michelasi –
Bem, a evolução deste setor não reside apenas em fatos históricos ou escassos livros, mas imprime seu valor em “artigos de lei”, que é um dos maiores registros históricos que uma profissão pode ter. Por exemplo, quando da sanção da CLT em 1943, as atividades de oficiais-barbeiros ou cabeleireiros já eram reconhecidas com regras próprias para expedição de “carteira de identificação profissional”, benesse que não foi atribuída a nenhuma outra atividade profissional no período. 

HB – Mas, isso já faz bastante tempo.
Márcio Michelasi
– É verdade e é aí que quero chegar! Recentemente, a lei que reconhece oficialmente o contrato de parceria - 13.352/2016 - trouxe ao ordenamento jurídico um modelo de negócio jurídico específico ao setor de serviços de beleza que não se enquadra em relação de emprego ou sociedade. E essa mesma lei reconheceu a figura do profissional-parceiro - que apesar de ser considerado trabalhador pode exercer sua atividade - para fim de equiparação e benefícios tributários, constituído como empreendedor individual perante a Receita Federal; ou seja, mesmo tendo CNPJ, não deixa de ser trabalhador pelo que prevê o §9º, artigo 1º-A, da Lei 13.352/2016, combinado ao que prevê o parágrafo único do art. 966, do Código Civil. 
 

“Com o reconhecimento deste contrato, percebemos no mercado um ar de esperança e motivação”

 

HB - E sobre a profissionalização do setor? O que pode nos dizer?
Márcio Michelasi -
Apesar de termos necessidades emergenciais, sou muito otimista de que a profissionalização deste setor decorrerá da evolução natural e lógica daquilo que os movimentos sociais em prol da beleza conseguiram realizar na última década. Com o reconhecimento deste contrato de parceria, passamos a perceber no mercado um ar de esperança e motivação.
 

"Sem profissionais não existe mercado de serviços em salões de beleza"
 

HB – E isso é muito positivo, correto?
Márcio Michelasi –
Sim, este sentimento permite que os membros das categorias econômica (salões) e profissional (trabalhadores) foquem no desenvolvimento integral de suas carreiras, aprimorando-se, cada qual às suas aptidões, para a atender a principal estrela deste negócio: o cliente, que é quem faz essa grande roda da beleza girar.

HB – E essa roda tende a girar cada vez mais e melhor?  
Márcio Michelasi -
 Veja, os serviços de embelezamento fazem parte da família das atividades voltadas à “higiene e saúde complementar”, item essencial na vida das pessoas, o que explica o porquê deste mercado sempre manter, de alguma maneira, uma procura ascendente. Mas, beleza e moda são atividades irmãs, com isso há influência direta do comportamento ditado por “movimentos sociais” que também são cíclicos.
 


“Quem não ignorar a evolução cíclica da sociedade, sempre terá espaço para se dar bem”

 

HB – Então, quais são suas perspectivas para os próximos anos?
Márcio Michelasi –
Bem, cremos, sem sobra de dúvidas, que permanecerão vivos e com grande crescimento exponencial todos aqueles empreendedores comprometidos com a prestação de serviços de excelência, ou seja, aqueles que sabem reconhecer a necessidade de seus clientes. Apenas o empreendedor - dono de salão ou profissional-parceiro - que tem um olhar dedicado à evolução da estará na vanguarda desde setor – tanto neste exato momento, como nos próximos anos. 

HB – Isso já é uma realidade, certo?
Marcio Michelasi
– Sem dúvidas! Basta ver que os serviços de barbearias durante décadas não tinham a demanda de hoje e com experiências e rituais de beleza diferenciados, já são inúmeros os cases que merecem destaque por seus espaços maravilhosos com impressão digital única. A mesma coisa com o movimento da “revolução das mechas” ou da “revolução dos cachos”, onde vemos mulheres desapegando de certos tratamentos e buscando técnicas que firmem sua identidade étnica, como prelecionam os educadores, beauty artists e visagistas. O que quero dizer então é que aquele que se mantiver atualizado e que, sobretudo, não ignorar esta evolução cíclica da sociedade, sempre terá espaço para se dar muito bem em nosso segmento. 
 

“A Hair Brasil sempre trouxe em primeira mão o que temos de melhor neste setor”

 
HB - A Hair Brasil tem um viés muito forte com a educação. Qual é a sua opinião sobre este posicionamento?
Márcio Michelasi -  
A Hair Brasil é o retrato de tudo que falei até aqui! A feira sempre foi bem mais que um evento, ela se estabeleceu como o maior fórum voltado ao desenvolvimento do profissional da beleza em todas as suas dimensões, uma feira que o profissional da beleza pode chamar de “sua”, feita para “o artista da beleza”.

HB – E como você enxerga a importância do evento para o setor de beleza?
Márcio Michelasi -
Basta comparar todas as edições para ver que a Hair Brasil sempre trouxe em primeira mão o que temos de melhor neste setor; ela foi precursora de outros grandes eventos similares, lançou moda, revelou profissionais, fortaleceu as entidades de classes, enfim, reuniu amigos, sofreu com a crise assim como toda família de profissional da beleza, mas sempre se manteve de pé e com o olhar para futuro. Eu tenho muito carinho e amor por tudo o que Hair Brasil faz, sobretudo pelo trabalho impar desenvolvido pelo gerente-geral da feira, Antônio Carvalho Junior, porque ele fez de tudo para que os profissionais sejam as verdadeiras estrelas do segmento, pois sem eles não existe mercado de serviços em salões de beleza.


Márcio Michelasi e Antonio Junior (Hair Brasil)HB - Sobre a parceria Pró-Beleza - Hair Brasil, quais os principais ganhos e benefícios, na sua visão, para o mercado?
Márcio Michelasi –
Nossa parceria tem gerado muitos frutos ao longo do caminho e o primeiro deles é o fortalecimento da categoria como um todo, demonstrando o que é ser um sindicato que atua como empresa de consultoria e prestação de serviços ao profissional da beleza, buscando atender as necessidades suas mais essenciais para o desenvolvimento da profissão. Além disso, a feira foi palco de momentos importantes como o lançamento da série de cursos de cabeleireiros assistentes, escovistas e coloristas do Instituto Pró-Beleza com assinatura do método Soho Educacional, bem como a disponibilização do sistema de cooperativa de consumo, Pró-Beleza Cooper - com marcas parceiras como D´Bianco, Soho Guenki Profissional - além da linha própria de produtos do Pró-Beleza voltada à preservação da saúde do trabalhador.
 
HB - E sobre novidades? O que pode nos contar?
Marcio Michelasi -
 No segmento da educação, o Pró-Beleza, em convênio com a Soho Academy, lança o curso especial para formação de cabeleireiros assistentes, escovistas, coloristas*. Outra novidade é que recentemente vivemos um fato muito importante na história do sindicato, a efetivação da atualização do registro sindical de nossa entidade por força de unificação das categorias dos profissionais do setor de beleza, cosméticos, terapias complementares, arte-educação e similares especializados em atendimentos voltados ao público misto/unissex (sem distinção de gênero).
 



HB – E o que este reconhecimento significa na prática?
Marcio Michelasi -  
Este reconhecimento histórico permite que todos os salões e profissionais possam homologar seus contratos de parcerias (Lei 13.352/2016) junto ao Sindicato Pró-Beleza, inclusive, via procedimento online. Desde a entrada em vigência da Lei da Parceria, muitos salões estavam sem a cobertura legal da homologação obrigatória determinada no art. 1º-A, §8º do diploma legal, seja pela falta de sindicato representativo, como pela falta de delegacias do Ministério do Trabalho na localidade. Logo, hoje, os benefícios da lei da parceria alcançam, realmente, todos os profissionais e salões de beleza do Oiapoque ao Chuí. 

* As matrículas com preços diferenciados para o curso citado por Marcio - do Pro-Beleza em parceria com Soho Educacional - podem ser efetuadas no site www.sohoacademy.com.br, aba “Associados Pró-Beleza”.
 

 
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